Simpatias e flutuações

Sociólogos sem Fronteiras - Rio de Janeiro

O noticiário sobre a programada visita do Presidente Obama, dos EUA, à República de Cuba, devido à questão de interpretação que suscita, dá ensejo para refletir sobre o paradigma subentendido nesse encontro, a saber: o acordo mútuo dos beligerantes em vista de salvaguardar a integridade dos civis (o paradigma da via mediana).

Trata-se do paradigma sob o aspecto de sua procedência, não sua funcionalidade (ligação modelo-condutas), mas sua origem como um tópico de sua hermenêutica, implicado, notadamente, seu alcance. É a questão de saber o modo pelo qual (método) deve o paradigma ser interpretado.

De fato, o acordo pode ser mútuo unicamente se o ponto essencial, inelutável, é a integridade dos civis, o reconhecimento da via mediana que passa através da luta dos extremos, sem esquecer que, na crise em que os dois grandes partidos se confrontaram, grandes frações da população se mantiveram sempre entre os campos opostos, com simpatias flutuantes por um ou outro partido e que, frequentemente, são essas simpatias e flutuações que desempenharam um fator determinante para a saída real da crise (Lukacs, Georgy: Le Roman Historique, tradução Robert Sailley, prefácio C-E. Magny, Paris, Payot, 1972, 407pp. [1ªedição em Alemão : Berlim, Aufbau, 1956] cf.pp 30 a 66).

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