Tratamento de esgoto não é prioridade no Brasil

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Ao fim de sua visita em 20 de dezembro de 2013, a relatora especial das Nações Unidas para o direito à água e saneamento, Catarina de Albuquerque, instou as autoridades brasileiras aos níveis federal, estadual e municipal a dar prioridade aos mais pobres e marginalizados, “para assegurar que a eliminação progressiva das desigualdades no país e que todos tenham acesso a água e saneamento”.Catarina de Albuquerque documentou profundas desigualdades no acesso ao saneamento entre as diferentes regiões do país, sendo a região Norte a mais afetada. Enquanto que em Sorocaba (São Paulo) a taxa de tratamento de esgoto é de 93.6%, em Macapá (Amapá) ela é de apenas 5.5%.”

Na área do esgoto, a perita explicou que “a baixa taxa de cobertura não corresponde aos avanços feitos pelo Brasil moderno noutras áreas, já que 52% da população ainda não tem coleta de esgoto e somente 38% do esgoto recolhido é tratado. Esta situação leva muitos a viverem com os seus próprios dejetos à porta de casa.”

A falta de saneamento básico nas cidades pode afetar a economia nacional por reduzir a produtividade do trabalhador, impactar o aprendizado de crianças e jovens, além de afastar o interesse turístico de regiões que sofrem com o despejo de esgoto e ausência de água encanada.

A queda na eficiência de trabalhadores e estudantes é causada por doenças provocadas pela ausência de saneamento, como as infecções gastrointestinais, que levam a diarreia e vômito – resultantes do consumo de água contaminada.

Entre as 100 maiores cidades do país, 55 tratam menos de 40% do esgoto produzido, jogando todo o restante na natureza, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Trata Brasil.

O ranking do saneamento mostra a situação de 100 municípios brasileiros com mais de 250 mil habitantes e tem como base os dados do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades. A última atualização é referente ao ano de 2012.

Segundo o instituto, o equivalente a 2.959 piscinas de esgoto foram despejadas por dia na natureza em 2012 devido à falta do serviço de tratamento nestas cidades. Cada piscina comporta, no mínimo, 2,5 milhões de litros.

“Mais importante que os números são as consequências para a população. Atrás desses dados estão doenças, milhares de internações por diarreia, hepatite A, verminoses, dermatites”, diz Édison Carlos, presidente executivo do Trata Brasil.

O levantamento é feito desde 2009 e também considera quesitos como percentual da população abastecida com água potável e a perda do recurso no sistema de saneamento.

Os dados do estudo apontam que o tratamento de esgoto ainda não é uma prioridade das administrações públicas. Em 29 dos municípios, o serviço de coleta de esgoto chegava a menos da metade da população em 2012. “É uma obra que muitas autoridades acham que fica escondida e dá baixo retorno eleitoral”, afirma Édison Carlos.

Mais informação http://g1.globo.com/brasil/noticia/2014/08/55-das-maiores-cidades-do-pais-tratam-menos-de-40-do-esgoto-diz-estudo.html

https://ssfrjbrforum.wordpress.com/2014/03/19/tragedia-do-saneamento-no-brasil/