Curso de Sociologia do Conhecimento – Texto 01

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Curso de Sociologia do Conhecimento

– Texto 1

Comentários críticos e

Observações de leitura 

 

Por

Jacob (J.) Lumier

Autor de Ensayos Sociológicos con trabajos difundidos junto a la Web de la Organización de Estados Iberoamericanos para la educación, la ciencia y la cultura – OEI

 

Rio de Janeiro, Julho de 2013


 

 

Curso de Sociologia do Conhecimento

Epígrafe

 

A língua, a intervenção do conhecimento, e o direito espontâneo são as instâncias por via das quais a consciência toma parte das forças produtivas em sentido lato, e desempenha um papel constitutivo nos próprios quadros sociais (grupos, classes, sociedades). Daí a relevância da sociologia do conhecimento como disciplina científica específica, indispensável à formação intelectual, à tomada de consciência e ao ensino.

 

 


 


 

Curso de Sociologia do Conhecimento

 Apresentação

 

O Frisson

(Crítica à abordagem utilitarista do conhecimento)

Hoje em dia é comum supor que o conhecimento é aquela utilidade manuseada quando estão ao computador. Adentrar a internet adquiriu tal alcance que faz lembrar o frisson do filme em três dimensões dos anos cinquenta ou sessenta, quando as pessoas iam ao cinema para se maravilhar com a experiência dos óculos bicolores e se arrepiar com as imagens espacializadas que deles brotavam.

Vê-se por aí que, cada vez mais, se imagina a efetividade do conhecimento pelo prisma da Web, como o quid emergente através dos portais da rede de redes.

Adota-se a suposição improvável de que os juízos cognitivos puderam ser tratados como projeções para fora de seu quadro psicossociológico (as mentalidades) ou que, desse modo objetivados em esquemas que se cristalizam, puderam ser separados de toda a experiência apreendida e vivida.

Permitem que a efetividade do conhecimento seja confundida aos standards. Quando não, é o mesmo frequentemente reduzido ao aspecto das habilidades e simplesmente manuseado como os próprios arquivos eletrônicos, que se podem administrar e gerir pelo exterior, como qualquer recurso industrial de que se manejam as engrenagens.

Essa aproximação utilitarista do conhecimento pelo prisma da Web mostra-se tanto mais insinuante que a Era da Automatização e das Máquinas Eletrônicas dá primazia lógica ao conhecimento técnico em muito elevado grau, de sorte que, como protesta Georges Gurvitch [i], todas as outras manifestações do saber são influídas ao ponto de tecnificar-se tanto quanto possível, sujeitadas que são na projeção de habilidades e de competências.

 

     Contra a corrente da tecnificação do saber, que impõe a primazia da lógica sobre os fatos sociais.

Posicionamento crítico justo em razão de que a união de conhecimento técnico e de conhecimento científico não se produziu efetivamente até o século XX, e somente no setor limitado da tecnologia, envolvendo o grau superior dos experts e dos engenheiros.

O estudo da história das técnicas mostra que, no primórdio do capitalismo, os conhecimentos técnicos se desenvolvem não em função das descobertas científicas, mas diretamente nas manufaturas e nas fábricas.

Em acordo com o aludido protesto de Gurvitch, e navegando contra aquela corrente da tecnificação do saber, que impõe a primazia da lógica sobre os fatos sociais, o sociólogo examina o conhecimento a partir da própria realidade social de conjunto, sem adotar a subordinação dos homens às máquinas e chamando a atenção para o fato irredutível de que, por trás dessa imagem de subordinação, há gêneros e formas diferenciadas do conhecimento variando com eficácia em função dos Nós (Nosotros), dos grupos, classes, sociedades globais.

Como sabem, até mesmo os filósofos mais dogmáticos distinguem dois ou três gêneros do conhecimento: o conhecimento filosófico, o conhecimento científico e o conhecimento técnico, que, como classes do conhecimento, se impõe cada um como um quadro de referência, eliminando assim o dogma da validade universal dos juízos.

Daí falarem das verdades do conhecimento técnico, as do conhecimento científico, as do conhecimento filosófico.

Este Trabalho

Neste trabalho, a elaboração tira proveito de obras anteriores do autor, seguintes: (a) “Comunicação e Sociologia” – Artigos Críticos, 2ª Edição modificada, Madrid, Bubok, Junho 2011, 143 págs.; (b) “Cultura e Consciência Coletiva – 2” (Junho 2009, e-book pdf 169 págs.)[1], e (c) “Psicologia e Sociologia” (Fevereiro de 2008, e-book pdf 158 págs.) as duas últimas publicadas na Web da Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura – OEI [2].

O propósito agasalhado na presente obra visa contribuir com a revalorização pedagógica da colocação do conhecimento em perspectiva sociológica, mediante comentários críticos e observações de leitura e interpretação de bibliografia.

Ao longo dos Textos planejados serão examinados os resultados conseguidos por alguns autores do século vinte muito pertinentes no histórico da sociologia, especialmente em vista de equacionar e solucionar o problema do coeficiente existencial do conhecimento e os tipos de sistemas cognitivos.

Além disso, ao longo da sequência de textos que compõe o plano adotado na parte final deste Texto – 1, grande parte dos comentários reunidos na obra planejada versa sobre o posicionamento dos críticos da disciplina e, em contrapartida, sobre a crítica ao preconceito contra a sociologia do conhecimento.

Finalmente, a elaboração da obra se faz em volta de quatro eixos principais seguintes:

  • Ø o problema sociológico do impacto da tecnificação;
  • Ø a indispensabilidade da psicologia coletiva nos estudos sobre o conhecimento;
  • Ø o reconhecimento da variação do saber como fato positivo;
  • Ø Caráter igualmente positivo da influência dos simbolismos sociais e mitologias.

Esperam que as informações, análises e os conteúdos sociológicos resultantes deste ensaio despertem no leitor benevolente maior interesse para prosseguir suas incursões nessa disciplina desafiadora que é a sociologia e, ao chegar no final deste livro, encontre ele na orientação diferencial aqui desenvolvida um caminho de reflexão consistente para contra-arrestar os efeitos atomizadores das posições estranhas à defesa da sociabilidade humana.

 

 

 

 

Etiquetas: coeficiente, compreensão, comunicação, conhecimento, conjunto, consciência, correlações, desenvolvimento, determinismos, dialética, estrutura social, experiência humana, explicação, hierarquias múltiplas, ideologia, juízos, liberdade humana, mentalidade, obras, patamares, pluralismo, produção, psicologia coletiva, psiquismo, quadros sociais, realidade social, regulamentações sociais, simbolismo social, símbolos sociais, sistemas cognitivos, sociabilidade, sociologia, tecnificação, tecnologia, variabilidade.

 

Rio de Janeiro, Junho de 2013

  • Jacob (J.) Lumier


 

Sumário

 

Epígrafe.. 7

Apresentação.. 9

O Frisson.. 9

Este Trabalho.. 13

Introdução.. 19

As correlações funcionais. 21

Os Juízos Cognitivos. 24

Exigências e Desafios. 27

A dimensão social do conhecimento.. 33

As variações do saber. 35

Os conhecimentos coletivos. 37

Relativismo sociológico.. 40

A orientação de Max Scheler. 44

Capítulo 1: 49

Conhecimento e Realidade.. 49

Um dilema na história do século XX.. 51

A primazia lógica da técnica.. 55

Arquivos eletrônicos. 57

A visão de conjuntos. 58

O fisiológico e o psicológico.. 59

O psíquico em fluxo.. 63

A cultura da tecnologia.. 68

A Sociedade de redes de informação.. 71

Comunicação Social e Ciberespaço.. 73

Anexo: Conhecimento e Sociologia. 85

Plano da Obra. 97

Notas de Fim… 101

 


[1] “Cultura e Consciência Coletiva – 2” http://www.oei.es/cienciayuniversidad/spip.php?article388

[2] “Psicologia e Sociologia” http://www.oei.es/salactsi/lumier2.pdf


[i] Gurvitch, Georges (1894-1965): “Problemas de Sociologia do Conhecimento”, in Gurvitch et al.:  “Tratado de Sociologia”, Vol. II, revisão: Alberto Ferreira, Porto, Iniciativas Editoriais, 1968, pp.145 a 189 (1ª edição em Francês: Paris, PUF, 1960).