Pluralismo Social Efetivo

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Todo o mundo sabe que os indivíduos mudam de atitude em função dos grupos aos quais pertencem. Os papéis sociais que assumem ou os personagens que encarnam mudam segundo os círculos sociais diferentes a que pertencem. Um pai ou um marido muito autoritário, por exemplo, pode, simultaneamente, desempenhar o papel de um colega particularmente atencioso. Em cada grupo, um indivíduo desempenha um papel social diferen-te: é ajustador, vendedor, professor…, por outro lado, esse mesmo indivíduo pode desempenhar, nesses grupos, papéis umas vezes sem brilho, outras vezes brilhantes; umas vezes subordinados, outras vezes dominantes; os mesmos indivíduos e os mesmos grupos podem, segundo estruturas e conjunturas sociais variadas, desempenhar papéis muito diferentes e até opostos. Dentre outras, essas variações indicam somente alguns aspectos do plura-lismo social efetivo da realidade social, que constitui o pano de fundo deste ensaio.

Para o sociólogo, o principal critério dos materiais empíricos é a variabilidade: Os agrupamentos particulares mudam de caráter e não apenas de posições; assumem identidades e diferenças não assumi-das em tipos ou subtipos de sociedades diferentes. Na medida em que participam da mudança em eficácia que se opera no interior das estruturas, os grupos, mais do que se deslocarem conforme trajetórias apenas exteriores, se movem nos tempos sociais.

As manifestações da sociabilidade, os grupos, as classes sociais, mudam de caráter em função das sociedades globais em que estão integrados; inversamente, as sociedades globais se modificam de cima a baixo sob a influência da mudança de hierarquia e de orientação das primeiras.

►A sociologia diferencial exige o abandono das ilusões do progresso em direção a um ideal, bem como o abandono das ilusões de uma evolução social unilinear e contínua, sendo da competência da sociologia descobrir, na realidade social, as diversas perspectivas possíveis e até antinômicas que são postas para uma sociedade em vias de se fazer.

As ilusões trazidas pela confusão com a filosofia da história se encontram favorecidas pela ocorrência de um erro lógico fundamental que é a falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor. Desse erro decorre a confusão, pois em vez de explicar os desejos a partir da realidade social, constrói-se a realidade social em função desses desejos.

Os juízos de valor são as aspirações, os desejos e as imagens ideais do futuro, e formam um dos patamares da realidade social em seu conjunto, de tal sorte que o progresso em direção a um ideal (filosofia da história) só pode intervir, na análise sociológica, unicamente em vista de integrar esse progresso ideal em um conjunto de fatos sociais que a análise se propõe explicar.

A sociedade está sujeita a flutuações e até aos movimentos cíclicos, e o progresso retilíneo em direção a um ideal particular, tomado como um movimento constante, não pode valer mais do que para períodos determinados, – em outros períodos a sociedade pode orientar-se em sentido oposto ao ideal, ou por um ideal completamente diferente.

A falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor torna impossível o acesso da análise sociológica ao dado fundamental da vida social que é a variabilidade.

►Embora tenha uma vertente acadêmica, ao debater as questões metodológicas que estão por trás da suposta alternativa fenomenologia ou sociologia, este trabalho é orientado para comunicar sobre o problema sociológico da variabilidade e, por esta via, expõe os procedimentos dialéticos e as correlações funcionais entre o conhecimento e os quadros sociais.

Jacob (J.) Lumier-2011

Livro que esclarece sobre o Pluralismo Social Efetivo.

Sumário

Apresentação    6
A ideia Tridimensional    10
Variabilidade ou Imposição?    10
As três escalas dos quadros sociais    19
Psiquismo coletivo e Reificação    23
Conhecimento e Dialética    27
A Possibilidade da Estrutura    30
Realismo Sociológico    33
Imanência recíproca do individual e do coletivo    34
Conhecimento Filosófico e Sociologia    37
Metodologia das Ciências Sociais    38
As relações dialéticas e as atitudes coletivas    43
Os procedimentos dialéticos do hiperempirismo     48
A Dialética das Alienações –    71
A pluridimensionalidade da Realidade Social    77
Dialética e Microssociologia    80
Consciência Coletiva e Formas de Sociabilidade    95
As amplitudes e os tempos    103
O Realismo Temporalista    109
Os Tempos da Burguesia    115
Crítica à Filosofia Fenomenológica    118
Artigo Anexo: Desejo e Vontade em Sociologia    126
Cronologia    134
Bibliografia    138
Índice    143
Perfil do Autor Jacob (J.) Lumier    144

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A Ideia Tridimensional em Sociologia

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