Pauta sociológica para examinar as desigualdades sociais em vista dos Direitos Humanos

 por Autor JLumier2012

Jacob (J.) Lumier

Representante de Sociólogos sem Fronteiras Rio de Janeiro – SSF/RIO

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  • Nosso desafio:

Equacionar o exame do problema sociológico das desigualdades sociais em vista de discernir obstáculos ao avanço dos direitos humanos nas organizações empresariais e corporativas.

 

Os eixos da atividade

  • O Panorama das Desigualdades Sociais
  • O limite da Igualdade e o Contraste de Opulência e Pobreza
  • Desigualdades sociais e Desigualdades neoliberais
  • A Desconstrução das Desigualdades Sociais

 

As Linhas de Atividade

Debater, pôr em relevo, desenvolver, descrever, elaborar sobre os seguintes tópicos:

 

  1. Sociologia e Solidariedade.

®     Os aspectos críticos mais relevantes das desigualdades neoliberais que sufocam as democracias, a exemplo do que aconteceu na Grécia, em Portugal, Espanha e Itália;

®     O funcionamento das desigualdades que são reproduzidas em função da distribuição e procura de vantagem diferencial;

®     A percepção da categoria economicista da vantagem diferencial como imposição;

®     A percepção do Curriculum Vitae e os Portfólios como indicadores do controle capitalista sobre as relações humanas e sociais;

®     Os conceitos de “capital social”, “capital humano” (inclui o “capital intelectual”) e “capital cultural”, como critérios de imposição da busca de mais vantagem sobre os outros; sua função para comparar as desigualdades sociais / econômicas e relacioná-las em hierarquias variadas;

  1. 2- O panorama das desigualdades sociais

® O sistema fabril e a lógica do capitalismo de concorrência: a reprodução das desigualdades em função do contingente de mão de obra de reserva;

® O capitalismo organizado em sistema financeiro e a reprodução das desigualdades em função do próprio controle capitalista; uma trajetória que começa pela da transformação do trabalho humano em mercadoria (com a imposição do controle técnico da produção) e leva para a mercadorização das relações humanas (distribuição e busca de vantagem diferencial), que se aprofunda de maneira combinada com o desenvolvimento da automação no mundo do trabalho;

®      Crítica à crença de que é preciso aumentar a riqueza para avançar na diminuição das desigualdades ou: a ambivalência do cálculo da igualdade como uma variável do crescimento econômico (curva de Kuznets): quando o crescimento econômico é baixo a distribuição de renda diminui e a desigualdade torna a aumentar.

  1. 3- O Problema Sociológico

®      O problema sociológico surge diante do fato de que a funcionalidade das desigualdades reduzidas a um cálculo de variável do crescimento reproduz indefinidamente a grave disparidade entre a opulência e a pobreza, que transpassa a sociedade global.

®      A percepção do problema sociológico: a concentração da riqueza nas mãos do hum por cento mais rico (apropriação de 40% de todos os lucros corporativos pelo setor financeiro); o aumento das desigualdades na Ásia, na Europa e nas Américas (La expansión de la economía latinoamericana se desaceleró 1,2 puntos porcentuales en 2012 con respecto al 2011 y 2,8 puntos con respecto a 2010, lo que dio como resultado que sólo un millón de personas dejaran de sufrir el flagelo del hambre y que la indigencia no disminuyera.); Soma-se a isto o aumento do preço dos alimentos que agrava a pobreza;

  1. 4-  A Dialética Social

®      As desigualdades neoliberais se alastram na medida em que a chamada austeridade econômica introduz a desarticulação e a desintegração dos direitos sociais, acrescentando grave atomização da sociabilidade no mundo do trabalho, com notada incidência sobre as desigualdades já existentes na extensão do sistema fabril.

®      A desconstrução das desigualdades traz uma resposta integrada em reciprocidade dialética à desarticulação neoliberal dos direitos sociais na medida em que (a) aponta para além do cálculo que empacota as desigualdades sociais como um fator variável do crescimento econômico; (b) acentua a exigência de que os setores opulentos tenham uma contribuição social muito mais intensa, em sintonia com o extraordinário retorno privado que ganham.

®      A mercadorização das relações humanas em seu efeito específico, como obstáculo ao avanço dos direitos humanos no âmbito das organizações empresariais:

®       O alastramento das desigualdades neoliberais traz consigo a imposição severa da categoria economicista da busca de vantagem sobre os outros, que, então, aparece como a única alternativa, substituindo as aspirações coletivas ao bem estar.

  1. 5.       A base das desigualdades sociais no psiquismo da estrutura de classes

 

Linhas principais de análise e interpretação

  1. A reificação como análise efetiva da prática social que realiza a função de representação, nas sociedades capitalistas.
  2. A correlação entre a fetichização da mercadoria (do dinheiro e do capital) no plano da economia, por um lado e, por outro lado, no plano do psiquismo da sociedade capitalista e das classes sociais;
  3. O processo de unilateralização em que, sob a cobertura do Estado como mediação mercadorizada entre os interesses privados e o interesse geral, as classes se representam.

Sumários do conteúdo

®      O processo de unilateralização compreende a generalização das necessidades uniformizadas em escala mundial (não obstante as diferenças de país, de raça, de classe, de regime político), cuja reflexão na vida cotidiana põe em relevo vivências negativas (insatisfação, carência, frustração, aspiração desiludida).

®      Analisado retroativamente, a generalização das necessidades impõe, por meio de um pensamento e ação unilaterais, a negação de uma matriz originariamente não seccionada, uma totalidade social onde se diferenciam as (três) mediações do psiquismo, seguinte: (a)- “a necessidade reenvia ao trabalho que criou e permeia a posse no objeto produzido ou na obra criada; (b)- estimulado pela necessidade, o trabalho produz novas necessidades, confirmadas pela posse”.

®      A dissociação dessa realidade psíquica acontece em correlação com processo de unilateralização, que leva à absorção pelo e no Estado dos interesses privados e do interesse geral, com a supressão da reciprocidade que os ligava.

  • Os três aspectos do psiquismo se dissociam parcialmente e, assim separados, incumbem a classes e a indivíduos diferentes, os quais são representados como tais no Estado, e se representam assim na consciência e nas ideias. Daí o esquema pelo qual (a)- há uma classe do trabalho; (b)-incumbindo, todavia, a outros a posse, (c)- com os mais desfavorecidos representando a necessidade em estado puro.
  • A época burguesa exerce uma efetividade sobre os elementos da realidade humana. A função de representação toma corpo e introduz a separação como regras do pensamento, da sociedade e da história. A  liberdade na classe burguesa centra-se na opção para seguir ao máximo o desejo de posse. O tipo característico dessa classe é um somatório de qualidades imaginárias, e só se reconhece em um Eu inacessível, genérico, transcendente à soma das qualidades dos papéis que desempenha.

A dissociação parcial dos três aspectos ou dimensões do psiquismo (a necessidade, o trabalho, a posse) liga-se à reflexão da divisão do trabalho social em regras de análise efetiva; liga-se ao fato de que a burguesia começa por reduzir à necessidade as dimensões do homem no período primitivo, onde dominava o ascetismo, a abstinência, a economia em sentido estrito, isto é, a acumulação; ela perquiria com ardor e recalcava o desejo da posse. Posto isso, saltou-se para a posse pura, que não se pode alcançar.

Essa análise e interpretação desenvolvem-se como um aprofundamento na “passagem de uma economia fundada sobre a acumulação na austeridade e pela abstinência, até uma economia de desperdício e despesas suntuosas – sem que isso correspondesse à satisfação de certas necessidades essenciais”. Acrescente-se a isso a observação de que é na Crítica da Filosofia do Direito de Hegel [1843] (sobre a seção “Estado”) que Marx assinala os três aspectos da individualidade humana não seccionada, as três dimensões do psiquismo: a necessidade, o trabalho, a posse.

Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro, 2013

Autor JLumier2012

Jacob (J.) Lumier –

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