A Relativização Da Dialética No Marxismo E Na História Social

 

 

A Relativização Da Dialética No Marxismo E

Na História Social

Por

Jacob (J.) Lumier

 

Comentários em apresentação do livro

“O Tradicional na Modernização: Leituras sobre Ernst Bloch”

 

►Apresentação publicada da obra

A reflexão histórico-filosófica é vista como sendo distanciada em relação às questões prementes da vida pública em virtude do seu caráter não representacional, embora seja situada na realidade social.

Ernst Bloch1 (1885-1977) é um pensador com essa virtude. A leitura de sua obra é interessante porque, além de uma sociologia do legado rural tradicional na formação das classes sociais, nos mostra a dimensão humana universal da Esperança histórico-filosófica que está por trás dos movimentos campesinos.

Pioneiro da relativização da dialética na história social, ao pesquisar o psiquismo coletivo dos “de baixo”, Ernst Bloch chega à descoberta de uma orientação fenomenológica indispensável à crítica do processus de formação do mundo moderno, aportando novos conhecimentos sobre a problemática dos modos de produção pré-capitalistas que, todavia, restam pouco explorados na pesquisa histórica.

Embora nossa leitura tenha centro nas análises da crise de modernização na Alemanha dos anos vinte, nosso trabalho é mais amplo e contribui para a reflexão do sociólogo sobre as linhas de pesquisa dialética alternativa ao legado da sociologia da religião de Max Weber, de que a obra de Ernst Bloch constitui inesgotável manancial.

Finalmente, cabe acrescentar que os principais textos desta coletânea são inéditos, outros contam edições anteriores publicadas junto ao OpenFSM, cuja reunião em pequenino e-book constituiu a primeira versão deste trabalho, difundido na Web da OEI sob o título “Crítica da Cultura e Comunicação Social”(Janeiro 2009, 69 págs.).

OBS: Ao utilizarmos as edições francesas e espanholas das obras de Ernst Bloch estamos secundados por Walter Benjamim, que verteu Baudelaire ao alemão por reconhecer a legitimidade das pesquisas sobre textos em versões traduzidas.

Veja a obra completa na Web da Organización de Estados Iberoamericanos-OEI: http://www.oei.es/salactsi/ErnstBloch.pdf

Jacob (J.) Lumier

 

***

 

►Resumo publicado da obra

Na leitura de Ernst Bloch notam uma orientação fenomenológica indispensável à crítica do processus de formação do mundo moderno, aportando novos conhecimentos sobre a problemática dos modos de produção pré-capitalistas, com esclarecimentos indispensáveis que, todavia, restam pouco explorados na pesquisa histórica.

 

A dialética e os movimentos dos camponeses

A reflexão histórico-filosófica é vista como sendo distanciada em relação às questões prementes da vida pública em virtude do seu caráter não-representacional, embora seja situada na realidade social.

Ernst Bloch é um pensador com essa virtude [i]. Nada obstante, além de uma sociologia do legado rural tradicional na formação das classes sociais, a leitura de sua obra é interessante porque nos mostra a dimensão humana universal da Esperança histórico-filosófica que está por trás dos movimentos camponeses na formação do mundo moderno.

Embora seja estudado em ligação com as conhecidas correntes intelectuais do Século Vinte influenciadas por dogmas materialistas ou marxistas [ii], Ernst Bloch é o pioneiro da relativização da dialética na crítica-histórica e, ainda na década de 1920, desenvolve em sua obra a compreensão da totalidade com vários níveis de realidade histórica ou de passado, designada no seu dizer a totalidade múltipla.

Portanto, deve ser lido como pensador europeu relacionado à história contemporânea da dialética, cabendo lembrar a respeito disto que Gastón Bachelard começou a introduzir a dialética em Ciências Humanas somente em 1936 [iii], e que a “revolução de Heisenberg” data de 1925, quando foi descoberta a mecânica quântica, cujas Equações de Incerteza levaram a Física Teórica à descoberta da dialética complexa e relativista (Revista Dialectique, 1947) [iv].

Neste sentido, tomamos como nossa principal referência a obra Héritage de ce Temps (Erbschaft dieser Zeit, Zürich, 1935), que é uma coletânea de artigos e ensaios que incluem escritos publicados no final dos anos vinte e comentários sobre o relativismo científico (Bérgson, Einstein).

Certamente, visamos pôr em relevo a vertente sociológica weberiana a que se liga e se contrapõe Ernst Bloch e centramos nossa leitura nas análises dialéticas em múltiplos níveis enfocando a crise então verificada na Alemanha.

Assinalamos notadamente que, ao pesquisar o psiquismo coletivo dos “de baixo“, Ernst Bloch chega à descoberta de uma orientação fenomenológica indispensável à crítica do processus de formação do mundo moderno, aportando novos conhecimentos sobre a problemática dos modos de produção pré-capitalistas, com esclarecimentos indispensáveis que, todavia, restam pouco explorados [v] na pesquisa histórica.

Em modo mais amplo, as observações de leitura reunidas neste nosso trabalho contribuem para a reflexão do sociólogo sobre as linhas de pesquisa dialética alternativa ao legado de Max Weber, de que a obra de Ernst Bloch constitui inesgotável manancial [vi].

Daí os capítulos elaborados sobre a leitura de “Thomas Münzer, Teólogo de la Revolución[vii], que é um ensaio sobre a importância das insurgências campesinas e da cultura do gótico tardio para a compreensão das superestruturas do capitalismo em modernização. Sendo nesse ensaio de 1921 que Ernst Bloch põe em obra a análise dialética orientada para a totalidade múltipla.

Finalmente, cabe acrescentar que alguns textos nesta coletânea são inéditos, outros contam versões anteriores publicadas junto ao OpenFSM [viii], que ora foram corrigidas e aperfeiçoadas. Eventualmente, ocorreram algumas repetições [ix].

***

Maio de 2009

Jacob (J.) Lumier

Websitio Produção Leituras do Século XX – PLSV:

Literatura Digital

 

http://www.leiturasjlumierautor.pro.br

 

 

 


[i] Ernst (Simon) Bloch: Ludwigshafen, 1885-Tubinga, 1977. Exílio estadunidense (1938-1949) onde elaborou sua monumental obra “O Princípio Esperança” (publicada entre 1954 e 1959).

[ii] Historiadores renomados observaram que o posicionamento de Ernst Bloch nos debates com Georges Lukacs, por exemplo, acentuavam a subjetividade. Cf. Lowy, Michael: ‘Para una Sociología de los Intelectuales Revolucionarios: La evolución politica de Lukacs-1909/1929’, tradução Ma. Dolores Pena, México, Siglo Veintiuno editores, 1978, 309pp. (1ª edição em Francês: Paris, PUF, 1976).

[iii] Bachelar, Gaston: “La Dialectique de la Durée”, Paris, Press Universitaire de France – PUF, 1972, 151 pp., 1ª edition 1936.

[iv] Ver Gurvitch, Georges (1894-1965): “Dialectique et Sociologie”, Flammarion, Paris 1962, 312 pp., Col. Science.

[v] Por ter acordado regressar para a Alemanha Comunista em 1948, Ernst Bloch sofreu o esquecimento. Primeiro, em virtude de sua oposição, que o levou desde 1957 ao afastamento da vida acadêmica, tendo sido excluído da RDA em 1961. Segundo, o fato de haver regressado dos EUA e, ao contrário dos grandes intelectuais igualmente exilados, ter aceito integrar-se na RDA, também lhe valeu um esquecimento no pensamento europeu, já que só em 1976 teve sua grande obra reconhecida e publicada em Paris.

[vi] Ao utilizarmos as edições francesas e espanholas das obras de Ernst Bloch estamos secundados por Walter Benjamim, que verteu Baudelaire ao alemão por reconhecer a legitimidade das pesquisas sobre textos em versões traduzidas.

[vii] Cf. Bloch, Ernst: Thomas Münzer, Teólogo de la Revolución  (“Thomas Münzer als Theologe der Revolution”, München 1921) Editorial Ciencia Nueva, Madrid, 1968.

[viii] OpenFSM is a platform for social activism provided by the World Social Forum.  Cf. A Home Page “Reflexão e Crítica”.

[ix] A primeira versão deste trabalho encontra-se difundida na Web da OEI, sob o título Crítica da Cultura e Comunicação Social.