Vantagem e Desigualdade

►A aplicação da vantagem diferencial nos estudos sobre desigualdades reforça o estatus quo e deve ser questionada como mecanismo de controle capitalista e estandardização cultural.

1.O estudo sociológico das desigualdades deve situar-se para além da simples descrição dos mecanismos da vantagem diferencial. Para obrar com alcance crítico, deve ser empreendido com atenção a certos efeitos recorrentes da civilização técnica no plano da psicologia coletiva, notadamente, a dessubjetivação.

2.Quando centrado nos mecanismos da vantagem diferencial, o estudo sociológico corre o risco de limitar-se à reificação dos papéis e posições sociais, com o que acrescenta um aval teorético ao controle capitalista das aspirações humanas ao bem-estar (mercadorização).

3.Embora a especificidade das desigualdades seja de ordem econômica, onde são recorrentes e, em sua dinâmica, concorrem como fatores do desenvolvimento, trata-se de um fenômeno propriamente social – traço característico da estrutura de classes – que, como todo o fenômeno social, está em marcha para o fim, sofre alterações nos seus próprios quadros e traz em si a mudança em perspectiva.

4.A inclusão do efeito de dessubjetivação, oriundo da civilização técnica, como fator de explicação da recorrência do controle capitalista permite enfocar as desigualdades em escala global e, notadamente, ao pôr em relevo o amplo alcance da psicologia coletiva, coloca em perspectiva o fim dos contrastes entre opulência e pobreza, ampliando a compreensão dialética das desigualdades.

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Lei o artigo básico  “Tópico 02: Vantagem Diferencial e Desigualdades Sociais