Razões para o ensino crítico da sociologia

Émile Durkheim

(1858-1917)

Razões para o ensino crítico da sociologia

por

Jacob (J.) Lumier

O ensino crítico da sociologia leva em conta que a vinculação às políticas pró-direitos humanos acontece em vários níveis. Certamente, os projetos integrados realizam o maior grau de atuação do sociólogo como profissão pública, mas nem por isso retiram o alcance da pesquisa sociológica elaborada sobre a realidade social e seus múltiplos quadros sociais.

O sociólogo desempenha uma profissão regulamentada que contempla o ensino, a pesquisa e o serviço prestado às organizações estatais, às empresas ou às ONGs.

Os fundadores desta disciplina ensinaram o interesse pelas questões públicas, dimensionando-as como indispensável para compreender a consciência coletiva e, na era da globalização, por efeito de contraste das formas de vida e extensão dos direitos civis e políticos, adquiriu ampla percepção social a orientação dos direitos humanos para a compreensão de que as pessoas têm direitos iguais à sua própria identidade particular, personalidade, fé e cultura. 

A sociologia é uma profissão e uma disciplina científica – e pode ser assim dupla –  devido exatamente à sua mirada pró-atuação. Daí a questão básica que demanda ensino crítico: como teoria determinista, poderá a teoria sociológica ser vinculada aos direitos humanos sem distanciar-se de seu caráter empírico e sem subordinar-se às doutrinas jurídicas ou tornar axiomática suas proposições explicativas?

Tudo indica que há sim uma resposta positiva para isto, e que a sociologia pode desenvolver uma orientação em reciprocidade de perspectiva com os direitos humanos, haja vista repelir as “teorias de coação” (ou de hegemonia) e compreender a vida do direito em foco na sociabilidade, como afirmação espontânea do prévio equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros.

Aliás, como se sabe, tal posicionamento já foi reconhecido por notáveis sociólogos na metade do século 20, quando foi proposta a Declaração dos Direitos Sociais em complementação ao célebre Discurso das Quatro Liberdades, com a compreensão de que a efetividade dos direitos humanos deve ser buscada na realidade social.

O fato de que a noção de sociedade é mais do que a instituição imaginária segregada pelo mercado como preferiam os neoliberais, e se refere a unidades coletivas multifárias e aos determinismos sociais, é um conhecimento indispensável aos direitos humanos, mas que só a sociologia está em medida de produzir.

Como se vê, o ensino crítico da sociologia atende a uma demanda consistente, tanto mais que para elaborar sobre a realidade social é indispensável a dialética, a pesquisa da variabilidade e a compreensão de que se deve empreender um esforço para limitar a imposição sobre as vida social dos esquemas pré-concebidos pela tecnificação do saber e dos controles ou regulamentações sociais (por consequência, das relações humanas).

***